Gilmar no fim de seu reinado.

Foram 2 anos de Gilmar Mendes a frente do Supremo Tribunal Federal. Gilmar Mendes foi advogado da união no governo do FHC e acabou indicado, pelo próprio FHC, para assumir como ministro do supremo. Acabou sendo o presidente do supremo que mais criou polêmicas e que mais esteve na mídia. Os dois Habeas Corpus em 48 horas para o banqueiro, condenado pela justiça federal, Daniel Dantas e o bate boca com o Ministro Joaquim Barbosa, em plena seção no plenário do STF, talvez foram os pontos altos do seu mandato como presidente do supremo. Agora que está deixando a presidência e vendo que os holofotes não estarão mais virados para ele, o ministro Gilmar Mendes teve que dar sua última entrevista e fechar com chave de ouro sua terrível passagem como representante máximo do poder judiciário. Não publicarei a entrevista, mas publicarei o resultado da entrevista. Boa leitura.

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A Ajufesp – Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul vem a público para repudiar as declarações do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, em entrevista concedida ao Jornal Folha de S.Paulo, edição de 22/03/2010.

Em uma de suas respostas sobre a Operação Satiagraha, ocorrida em julho de 2008 que, entre outros, culminou com a prisão de Daniel Dantas, por ordem do juiz federal da 6ª Vara Criminal Federal, Fausto de Sanctis, o ministro afirmou: “(…) havia um tipo de conúbio espúrio de polícia, juiz e membro do Ministério Público. As investigações provaram que os juízes estavam se sublevando contra pedido de informação feito por desembargador(…)”

Lamentamos que o ministro se pronuncie fora dos autos sobre o episódio, depois de decorridos quase dois anos e faça afirmações que não foram comprovadas nas investigações subsequentes.

Fausto de Sanctis é um magistrado sério e não se tem notícia de qualquer conúbio dele ou dos outros juízes federais do Fórum Criminal com o Ministério Público Federal e a Polícia, seja para omitir informações ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, seja para agir em detrimento da lei e do Poder Judiciário.

Os fatos narrados pelo ministro foram analisados pelo Órgão Especial do TRF3, que os rejeitou e, recentemente, quanto a Fausto de Sanctis, pelo STJ, que o manteve à frente do processo que trata do caso Daniel Dantas.

A independência judicial se traduz no livre convencimento motivado do juiz e esse é um dos pilares da democracia. Não podemos abrir mão disso.
Lamentamos que o ministro Gilmar Mendes, que teve méritos em sua passagem pela presidência do STF e do CNJ, como o mutirão carcerário, insista em manifestações que apenas desestabilizam o Poder Judiciário. Neste momento, reviver este conflito é desnecessário.

São Paulo, 22 de março de 2010
Ricardo de Castro Nascimento
Presidente da Ajufesp

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